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“Queres mesmo licenciar-te em Design?”

12 august 2015 | by João Pedro Gomes

Acabaste o 12º ano, e agora? Queres seguir estudos? Então é hora de escolheres aquilo de que gostas. Esquece empregabilidade, esquece a localidade, esquece todos os factores que teimam em se considerar ideais. Vão ser 3 anos duros, onde o divertimento não será nem quarto daquilo que vendem na televisão, as directas serão muitas, onde a tua vida passa a ser a escola. Acredita, nada vai ser como era no secundário.

É verdade, terás momentos de diversão, mas a maioria das vezes a cama e o cansaço vencerão. É por isso que deves escolher algo que gostes realmente. Tens quê, 18, 19, 20 anos? És um jovem, uma pessoa com sonhos e que precisa de viver feliz! Faltam 50 anos para chegares à esperança média de vida, mas é aos 20 que atinges a flor da idade! Vive a vida, vive a felicidade de estar vivo!

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A faculdade é um sonho, mas não é aquilo que vendem na tv

Esquece a escola e imagina algo distante onde viverás preso 3 anos a fazer algo que não gostas. Esse lugar irá preencher os teus dias, os teus pensamentos, os teus olhos. Viverás num isolamento, com a cabeça à procura de um lugar melhor no imaginário! A faculdade não é nem poderá ser esse lugar! Tu vais para a faculdade para lubrificar o teu conhecimento! Queres ser feliz, porque haverias arriscar cair em desgraça e desgaste psicológico com algo que não é de facto a tua praia? Durante toda a minha faculdade tive dezenas de colegas nesta situação. Estavam no lugar errado tentando fazer a coisa certa. Por fim, o factor mental ganhava e começavam por faltar às aulas matinais, depois comprimidos para o cansado mental, entretanto deixavam as aulas da tarde e, por fim, o abandono da faculdade. O processo é quase sempre o mesmo. Queres passar por isso?

Se a resposta é não, esperemos que design seja o teu lugar da felicidade então. Contudo, há muitas coisas que podes ainda não saber sobre o Design. Não somos artistas plásticos mas também não somos engenheiros. Somos um intermédio que passa por muito mais do que simplesmente desenhar algo. Este é um ponto que quero frisar. A maioria das pessoas que segue design, considera que será um curso de desenho com recurso a software também. Ora bem, o desenho é um meio apenas. Em termos rigorosos, na verdade nós não desenhamos nada em termos artísticos. O desenho serve para dar forma a algo que estudámos previamente, como a cor, a forma, etc. É um conector entre o objecto e sua função com o ser humano.

O que é então o Design?

Nunca vi duas pessoas a descreve-lo com as mesmas palavras. É nisso que está a beleza. Para mim o Design é um estudo da função dos objectos, da relação dos objectos com o ser humano e o meio envolvente. Mas isso sou eu que adoro a interacção real do objecto com o ser humano. Cada designer deve construir a sua perspectiva própria e baseada nas suas crenças para com o Design. Mas existem características obrigatórias que considero que terás de ter e estas são, na sua maioria, consensuais entre todos os designer.

1. Ser estudioso e pormenorizado

Para seres designer tens de gostar de estudar. Vais ter de estudar as pessoas, a semiologia do design, a teoria da cor,... um número infindável de coisas que complementam o teu trabalho e conhecimento. É claro que depois isso dependerá muito do tipo de design. Mas todos os tipos de design te obrigam a escolhas e essas escolhas não deverão nunca ser mero acaso. O meu blogue tem um ícone de uma mochila. Por exemplo, eu escolhi uma mochila escolar igual à que usava no início do meu 10º ano, altura em que entrei para artes visuais no liceu. O laranja, em teoria da cor, é a cor da comunicação. É também uma cor ligada à confiança, ao encorajamento e ao sucesso.

2. Criatividade

Pensar fora dos padrões é difícil e, talvez, o mais cansativo dos trabalhos mentais, digo eu que sou suspeito. Tens de saber fugir aos clichés e, sobretudo, não ter medo de ter ideias diferentes de todos. Por falar em ideias malucas, sabes quando foi desenhado o primeiro tablet? Em 1968, 13 anos antes do MS-DOS (base do Windows) e 16 anos antes do Mac OS (só chamado assim a partir de 1997). O seu mentor? Alan Kay (além de programador, era designer de interfaces), que teve a ideia de um computador portátil para crianças e jovens. Esta ideia veio 40 anos antes do tempo, foi um fracasso e, sem materiais nem interesse, só se construiu o primeiro protótipo nos anos 90. Desta ideia louca, surgiram buscas insaciáveis pelo touch screen e baterias de alta capacidade. Os componentes foram diminuindo e agora temos máquinas de alta velocidade a trabalhar nas nossas mãos. Este à parte foi para te mostrar a essência da nossa profissão. Sair da caixa, procurar algo diferente. Terás de aprender a viver com a falácia da palavra "novo", porque nada é feito sem inspiração do mundo que nos rodeia. Cabe ao designer recolher os pontos chaves do mundo que o rodeia e construir as suas obras, percorrendo novos caminhos e aprendendo com os caminhos já trilhados.

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3. Flexibilidade

Bem, esta parte é mais física. Terás de saber fazer a espargata e a cambalhota à frente na perfeição. Estou a brincar, era uma metáfora, mas é facto que irás ter de ser flexível porque o mundo do design roda mais rápido que a terra sobre o seu eixo. Quero com isto dizer que as coisas estão sempre em mudança e dificilmente irás fazer um leque limitado de funções na área do design ao longo da tua carreira. É por isso necessário seres adaptável às mudanças na carreira e vida.

4. Humildade

Este ponto é talvez o mais difícil. Tens de saber dizer o "não" e o "não sei fazer isso". Para mim é o mais importante. Primeiro porque nunca serás bom a tudo! A humildade e reconhecimento real das tuas capacidades farão de ti melhor designer. Esse reconhecimento não deve ser uma vergonha, mas sim um atestar de especialização naquilo que és realmente bom.

5. Opinião

Não gostas da opinião dos outros? Esquece design. Aqui irás ouvir 50% das vezes críticas (pelos teus amigos, grupo de trabalho e os teus superiores) e as outras 50% das vezes um "está fixe" (pelas restantes pessoas) que muitas vezes é a pessoa que opina porque lhe perguntaste mas na verdade não quer dizer nada sobre o assunto. Curiosamente, ao longo do tempo, cada vez mais tenho pedido opiniões. Adoro críticas, não só as construtivas. São as críticas que nos fazem melhorar e terás de aprender a usar a crítica como combustível. Outro ponto importante será que irás quase sempre trabalhar em grupo. Várias cabeças pensam melhor que uma, pelo que tens de estar preparado para absorver o contacto entre várias pessoas à procura de uma solução que raramente será 100% consensual, até porque nunca conseguirão acertar na verdadeira resposta porque ela simplesmente não existe!

6. Hobbie

Se não tens hobbies, esquece esta profissão. Conheço centenas de excelentes designers, alguns de topo nacional, mas nenhum que não tenha um hobbie importante para si. O bloqueio mental vai ser uma constante no teu trabalho, terá de haver algo que desbloqueie, que desligue o cérebro do design por uma, duas, três horas diárias. Aviso-te é que não será um vício que resolverá este teu problema, precisarás de algo que te proporcione bem-estar e seja diferente todos os dias.

Devo confiar em listas?

A resposta é não. Contudo acredito que se não tiveres muito enquadrado com estes 6 pontos, sinceramente devias ponderar seguir outro caminho. Segue o teu coração e esquece tudo aquilo que está escrito pela net fora. Tudo aquilo que não apele ao teu coração, esquece. É no coração que está a essência do designer. O cérebro é caixa da criatividade, mas é na paixão que está toda a busca pela solução. Para seres designer tens de te apaixonar por design, uma daquelas relações onde irás discutir muito, mas no fim, sorrirás!

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